10 motivos para assistir “Euphoria” agora nesse exato momento!

10 motivos para assistir “Euphoria” agora nesse exato momento!

A estreia da segunda temporada da série da HBO Max desde o começo do ano tem causado burburinhos por todos os quatro cantos da internet. E não é para menos. Euphoria tem demonstrado qualidade em todos os seus episódios, atraído uma legião de fãs recentes e reinventado o conceito que conhecemos em seriados de tevê, permitindo que a experiência seja ainda mais ampla para a audiência que acompanha.

Vencedor do Emmy responsável por dar a Zendaya o prêmio de melhor atriz, a produção segue fazendo sucesso em redes sociais e batendo recordes semanalmente para a HBO. O motivo? Pelo menos 10 deles podemos dar a vocês!

Aviso: apesar de ser uma série que retrata a vida e dificuldade de adolescentes, Euphoria está catalogada como “rated R” – um termo usado para produções que apresentam violência, nudez, drogas e temas obscuros. Se você for menor de idade está lendo este artigo, recomendamos que não veja a série.

1. Zendaya

Eu sei, eu sei. Colocar uma atriz como o primeiro motivo pode parecer um pouco redundante da minha parte, mas não é de graça. Zendaya Maree Stoermer Coleman tem apenas 25 anos e um longo e já extenso currículo nas mais interessantes e recorrentes atrações dessa década e da década passada. Vinda diretamente da considerada “terra dos sonhos” televisiva (o canal Disney Channel) Zendaya começou cedo nos seriados e filmes No Ritmo, Agente KC e Zapped até ficar envolvida com títulos voltados para um público mais ambicioso como a franquia Homem-Aranha: De volta ao Lar da Marvel, O Rei do Show e Dune.

Para muitos que achavam que Zendaya seguiria carreira como cantora pop (um caminho já tradicional para muitas ex-atrizes da Disney) deve ser um choque vê-la interpretando a adolescente co-dependente de drogas, Rue Bennet. A atriz faz sua performance valer a pena, mostrando todos os traços de uma pessoa viciada com maestria, desde a culpa e a chantagem emocional, partindo para a paixão desenfreada e impulsiva por sua melhor amiga, Jules que desencadeia diversos acontecimentos em torno da série (Hunter Schafer).

O humor antes usado para os famosos seriados com risadas automáticas hoje é exacerbado de uma forma irônica quando ela interage com os diversos personagens em Euphoria. Além disso, fora da caixa onde Zendaya performava personagens alegres e superificialmente feliz, agora ela tem a total liberdade de mostrar seu potencial, como é o caso do já famoso e comentado por diversos veículos de notícia, o episódio 5 da segunda temporada.

E se essa evolução da atriz não é um motivo interessante o suficiente para te convencer a dar uma bisbilhotada no show, se segure aí porque temos mais nove para você!

2. A Trama

É verdade que, desde a explosão de Skins, o gênero “descobrindo a vida secreta de adolescentes” chega a ficar batido e, sinceramente, um pouco cansativo quando somos obrigados a revisitar o tema entra ano, sai ano, e que nem sempre nos agrada. Fato que não impede que Euphoria nos traga de volta para esse campo familiar, trazendo uma nova lente sob o assunto de uma forma diferenciada e até um pouco delicada.

Começamos com Rue Bennet (Zendaya) usando sua voz-off para contar toda a sua história desde o nascimento (sim, literalmente desde o nascimento) até o vício atual nas drogas, passando batido pelos diagnósticos de TOC, ansiedade generalizada, um transtorno bipolar e a morte do pai. Voltada da reabilitação, Rue nos revela que já está tendo um relapso de novo quando pega alguns opioides “fiados” do amigo e vendedor de drogas, Fezco (Angus Cloud) ou Fez.

Desde o começo, podemos ver que a garota parece não ter jeito e, se for ainda do nosso desejo querer acompanhar a trama, temos que embarcar numa viagem enquanto Rue descreve as cores com que vê o mundo quando usa as drogas para ficar entorpecida. É claro que a história não fica só nisso. Não demora até que as diferentes tramas e sub-tramas do seriado passem a ter uma relevância com a passagem de diferentes narrativas oferecidas às personagens.

Um dos maiores, se não considerado o vilão, é Nate Jacobs (Jacob Elordi), titular do time de futebol da escola e superpopular que faz de tudo, até ameaçar e ludibriar uma das pessoas mais próximas a Rue para garantir que o segredo sujo do seu pai não arruíne a imagem da família perfeita.

3. A Narrativa

Quando Nate Jacob tinha 11 anos, ele achou a coleção de por**s do pai. Cal, o pai dele, era obsessivo. A mãe dele sempre disse que ele era como o pai.

E é com essa narrativa que Rue, a personagem de Zendaya, introduz a história de um de seus personagens. A cada capítulo, um jeito de contar mais uma história se desenrola, para que saibamos como cada um deles era, como estão sendo e o que pode ter acontecido em suas vidas para ter resultado em um trauma tremendo. Essa maneira particular de escrever é, com certeza, outro bom motivo para acompanhar a série. Não que o elemento seja qualquer tipo de novidade, mas exatamente pela maneira como o audiovisual casa com o lirismo dos episódios, transformar a escrita em composição enquanto vamos do mergulho do interior de cada main character até sermos tragos de volta para a beira do rio onde se encontra o episódio.

Maddie sempre foi bonita e gostou de dançar; Cassie perdeu o pai muito nova; Cat cresceu dentro da rede social tumblr e acreditando no amor retratado em séries. Todas as personagens são dissecadas e expostas para o público perceber que não só suas histórias são verossímes, como também são incrívelmente fascinantes quando se desdobram com o lugar atual onde as encontramos no tempo atual da série.

4. Elenco

Zendaya não é a única atração desse show com uma grande carga no nome. E é graças a essa característica que Euphoria nós dá o melhor que sua história pode oferecer sendo performadas por um grupo seleto de artistas escolhidos a dedo. Apenas no elenco regular temos, Jacob Elordi de A Barraca do Beijo da Netflix, Eric Dane , o famoso Dr. Mark Sloan de Grey’s Anatomy, Storm Reid de Uma Dobra no Tempo e Sydney Sweeney de Everything Sucks!

Além da grande ressalva para as novatas Barbie Ferreira, Alexa Demie, Hunter Schafer, Maude Apatow, Sophia Rose Wilson e a dupla Angus Cloud e Javon Walton que roubam a cena toda vez que aparecem na tela, o título tem um elenco de apoio poderosíssimo que servem exatamente seus propósitos de uma forma que nos faz acreditar que eles nasceram para interpretar seus papéis.

Além de super-preparados, eles também contam com a equipe de produção e o diretor Sam Esmail para resolver detalhadamente como será feita cada tomada; um exemplo disso, as cenas de nudez explícitas que não são feitas de forma não-consensual ou até que esteja garantindo que os atores se sintam confortáveis em seus papéis.

5. Insights

Ao final de cada capítulo, Euphoria tem reservado um show especial para aqueles que gostam de ouvir os bastidores da série, o enter euphoria onde os atores em destaque de cada respectivo episódio recebem a oportunidade de darem suas próprias visões sobre os personagens que interpretam, as cenas e como elas se desenrolam no enredo atual.

Para quem é fã de conhecer os detalhes de uma produção, por curiosidade ou para fins profissionais, o insights é uma boa pedida para adentrar ainda mais dentro da série e ficar ligado no tipo de visão que os artistas têm sobre os trabalhos decorridos na temporada.

Os vídeos de cada entrevista do enter euphoria  estão disponíveis no canal do YouTube da série.

6. Labirinth

Sem dúvida nenhuma, uma das melhores formas de conversar com o seu público é por uma trilha sonora. Quando está se faz bem feita, cria para a atmosfera da produção uma memória afetiva com o público, gerando um reconhecimento e marca registrada. A voz do artista  Labirinth – encabeçado nas playlists das 2 temporadas – casada com os diferentes elementos musicais, dão cargo do papel.

Seu tenor grave e profundo, capaz de nos levar para outro plano misturado aos sons, é emocionante e difícil de tirar da cabeça. Outras músicas que compõem a temporada também conversam com cada personagem, dando vários hints de como eles irão se comportar.

Para cada momento da série, há um som diferente, uma música tema específica que será procurada mais tarde; capacidade essa que não fica exclusiva a Euphoria, visto que a música Still Don’t Know My Name de Labirinth foi uma das que mais viralizou em trends pelo Tiktok nos últimos três anos.

7. Representatividade

Com o mundo atual em que vivemos, é sempre de suma importância manter um olhar vigilante sobre tudo o que se faz, como faz e que tipo de mensagem uma história quer passar quando coloca figuras dos nosso cotidiano e as representa dentro da mídia. E aqui não estamos falando de “cotas raciais”, ou da simples “militância”, ou de qualquer discurso exacerbado que seja de uso para ferir minorias ao invés de incluí-las a um campo já marjorietariamente heterossexual.

A representatividade serve como uma forma de narrativa como qualquer outra, não para preencher lacunas dentro de uma caixa, mas para inseri-las nas questões culturais quando elas já são performadas no mundo real. É sempre dito que a vida imita a arte, e vice-versa, e Euphoria usa esse espelho de forma orgânica, deixando que Fezco fale como um adolescente do leste de Highland, Maddie tenha problemas reais no relacionamento como qualquer garota real de sua idade, Jules seja uma garota transexual com um passado difícil, mas sexualmente liberta para se explorar.

Essa abertura significa bastante para a audiência que acompanha, se vê e se identifica com o conteúdo caracterizado.

8. Direção de Arte

Se a trama de Euphoria for algo que te faça passar longe ou elementos como o elenco e a narrativa simplesmente não te interessam, vale a pena conferir o show pela sua incrível direção de arte. Os efeitos especiais, presentes de uma forma colorida única são de tirar o fôlego e os cameos são um trabalho de admirar, sempre posiciando a imagem de acordo com as ações dos personagens, seus gestos, suas mãos, seus toques íntimos quando interagem uns com os outros.

Um grande exemplo da grandeza da direção digna de um Oscar, é a forma como é concluído o último episódio da primeira temporada, com a casa de Rue girando e girando enquanto ambos Labirinth e Zendaya cantam All for Us; aqui, a atriz faz de tudo: dança, canta e atua, tudo ao mesmo tempo enquanto entendemos que aquele é um grande momento para a sua personagem. Além disso, o resto dos episódios é repleto de vídeos criativos que irrompem a tela quando Rue narra em off e “construções imaginárias” de um possível cenário onde Rue se torna uma investigadora junto de sua amiga Lexie para desvendar um mistério da própria série. Se restava qualquer dúvida de que Euphoria viria para fugir do gênero comum com o qual trabalha, não resta mais.

9. Sam Levinson

Como já dito anteriormente, Euphoria está reinventando um conceito que já conhecemos: o mundo dos jovens e os perigos e conflitos ao qual eles estão expostos. Questões de identidade de gênero, sexualidade, o mundo de dependentes de drogas e as diferentes classes sociais e como suas realidades impostas afetam uns aos outros são muitos dos grandes temas batidos em outras séries. A forma como são trabalhadas, no entanto, é diferente e tudo isso se deve a direção do ator e cineasta Sam Levinson.

Enquanto de um lado diretores tentam se manter minimamente profissionais em seus projetos e outros sendo ousados ao se preocuparem mais em provocar a audiência, o ainda novato Levinson caminha em direção a um trajeto pessoal, algo que, surpreendentemente, ajuda mais do que atrapalha. Acontece que boa parte das coisas retratadas no show são inspiradas na infância e vida pessoal do diretor, que passou a maior parte da infância em hospitais e casas de reabilitação. A experiência fez com que Sam adquirisse um toque especial ao retratar cada assunto, sendo delicado e respeitando o olhar imparcial, não romantizando ou condenando quaisquer das ações das personagens, mas transformando toda essa diversidade em reflexão.

Com outros artistas do elenco, (Hunther Schafer, por exemplo) ele também conversou por horas com o intuito de conhecê-los e trazer o mesmo conhecimento para dentro do contexto da série, misturando a ficção e realidade. O diretor também possui um filme na plataforma Netflix, intitulado Malcom & Marie com a própria Zendaya e John David Washington de Infiltrado na Klan.

10. Hype

É, eu sei, eu sei. O hype também não é lá um motivo muito válido para te fazer sair da sua zona de conforto e ir atrás da série da HBO Max correndo antes que saia o próximo capítulo – afinal de contas, sua mãe te disse que você não é todo mundo, certo?

Bem, ela concordaria comigo que segundas temporadas de produções serem bem mais sucedidas que a sua primeira, batendo um número grande de audiência no Brasil e no ocidente, são um feito raro só alcançado de uma forma que só vemos em sequências de filmes. E o melhor de tudo: essa fama é justificável. Euphoria é profundo, lindo, viciante, divertido de se ver além de ser o grande momento na boca da internet. Se você for maior de dezoito anos e não vê qualquer problemas em assistir um show com tópicos delicados, vale a pena adicionar a série a sua lista.

Matheus Martins

Escritor, 25 anos, apaixonado por literatura e Stephen King. Teve um exemplar jogado na própria cabeça como incentivo e hoje afunda a cabeça em cubículos do Call Center. À noite, as máquinas ligam e ele dá vida às palavras e histórias que alugam um triplex na sua cabeça.