6 lições que aprendemos com Avatar: A Lenda de Aang

6 lições que aprendemos com Avatar: A Lenda de Aang

Avatar: A Lenda de Aang é, sem dúvidas, um dos desenhos mais bem feitos existentes e que traz diversas lições. 

A série tem mais de 15 anos e continua conquistando fãs. A Netflix até mesmo anunciou um live-action da história.

A profundidade dos personagens e o desenvolvimento de cada um ensina como o bem e o mal existem dentro de todos, e o que importa é o caminho que escolhem seguir.

Cada personagem traz ensinamentos importantes, e é possível se identificar muito com eles. Confira 6 das lições que aprendemos:

Cuidado: este texto possui altas doses de spoiler

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Katara e a paciência e compaixão

No início do desenho, Katara, da Tribo da Água do Sul, é uma dobradora de água ainda inexperiente. A habilidade ainda não é bem controlada e gera alguns incidentes inesperados.

Além disso, Katara e seu irmão Sokka perderam a mãe, Kya, e cada um lidou com isso da sua maneira. Katara foi a última pessoa de sua família a ver a mãe antes de morrer, e as cenas antes do assassinato pairam em sua mente.

Katara cuidou de praticamente todas as crianças de sua tribo e auxiliou em diversos partos. Também assumiu responsabilidades na própria família quando seu pai, Hakoda, deixou-os para cumprir uma missão importante.

Mais tarde, ela tem a chance de encontrar o assassino de Kya. Antes totalmente determinada a matá-lo, ela decide por não fazer isso. A revisitação do passado fez ela perceber e reavivar seus princípios. Matar não traria sua mãe de volta.

Em certo momento, Katara descobre que sua dominação da água tem habilidades curativas e desenvolve ainda mais a dobra d’água.

Ela oferece sua cura até mesmo para Zuko, que havia perseguido a “Equipe Avatar” praticamente todo o desenho. Mas falaremos dele depois.

A questão é que, além de tudo isso, ela entende a necessidade da paciência para se fortalecer e da necessidade de compaixão até mesmo com quem você pensava ser seu maior inimigo.

Sokka e a necessidade de ter a mente aberta

Sokka logo no primeiro episódio demonstra ideias machistas em conversas com a Katara. Porém, ao longo do desenho e das interações com os outros personagens percebemos que ele é inseguro de suas próprias capacidades.

Viajando com uma dominadora de água, uma de terra e o Avatar, Sokka diversas vezes menciona que sente não estar à altura do grupo.

Enquanto estão escondidos na Nação do Fogo, o grupo encontra o Mestre Piandao, o melhor espadachim e forjador do local. Ele ensina Sokka a dominar o combate com espadas e destaca o quão habilidoso ele é.

Antes de Sokka se tornar oficialmente um espadachim, ele revela ao Mestre que faz parte da Tribo da Água do Sul.

A surpresa ocorre quando Piandao diz que já sabia disso, mas quis ensiná-lo mesmo assim por não fazer distinção entre os alunos.

Além dos ensinamentos do Mestre Piandao, Sokka conhece a Guerreira Kyoshi Suki, que mais tarde se torna sua namorada.

Apesar de subestimá-la no início, Sokka entende como Suki é habilidosa e até mesmo aprende a lutar com ela.

Sokka possui reviravoltas interessantes em relação a conceitos que pareciam enterrados em sua cabeça. Ele percebe que há mais nas pessoas do que podemos enxergar.

A importância de uma boa xícara de chá

A série nos mostra como o chá tem propriedades medicinais que vão além das imaginadas. Não acredita?

Quando Toph se separa de seus amigos, ela cruza com o caminho de Iroh, que também estava afastado de Zuko. Os dois têm uma bela conversa sobre como Toph sempre tenta provar que pode fazer as coisas sozinha, e Iroh a compara às atitudes de Zuko.

Entretanto, Iroh destaca que não há problema em deixar as pessoas que te amam ajudarem de vez em quando.

Quando Toph se despede, Iroh declara que “tomar chá com um estranho fascinante é um dos verdadeiros prazeres da vida”.

E aí, te convenci?

A redenção de Zuko

Zuko é, sem dúvida alguma, um dos personagens mais bem desenvolvidos da série. Somos apresentados a ele como um vilão que deseja capturar o Avatar. Aos poucos descobrimos o motivo.

O pai de Zuko é Ozai, o Senhor do Fogo, um dos homens mais poderosos e perigosos do mundo e que mantém a guerra contra as nações, que já dura mais de 100 anos.

O Senhor do Fogo sempre teve um apreço especial por Azula, irmã de Zuko, e era muito distante do filho. Zuko buscava a aprovação do pai em toda oportunidade possível.

Um dia, Zuko questionou Ozai após ouvir um plano que envolvia sacrificar uma tropa de soldados. O Senhor do Fogo tomou isso como insulto, e desafiou Zuko para um Agni Kai, um duelo.

Ao descobrir que teria que lutar com o pai, Zuko se recusa e Ozai queima o rosto do filho, deixando uma cicatriz enorme no lado esquerdo. O príncipe ainda perde o direito ao trono e é exilado. Capturar o Avatar é a única forma de recuperar sua honra.

Entretanto, ao longo do desenho percebemos que Zuko nunca foi uma pessoa ruim. O desejo de ser aceito pelo pai inflamou seu ódio e alimentou sua dominação de fogo.

Mas as cicatrizes que adquirimos não devem definir quem somos. No caso do príncipe, a rejeição fomentou a existência do mal dentro dele. Depois ele percebeu que esse não é o único caminho a seguir.

Zuko se junta à trupe do Avatar, e os ajuda a salvar o mundo da guerra. Junto com isso, ele acaba se perdoando, e o ódio em seu coração se esvai.

Ele demonstra que a redenção e o perdão podem alcançar quem menos imaginamos.

Toph e nossos pontos fortes

Toph é subestimada pelos pais por ser cega. Eles não permitem que ela e seu professor particular avancem no treino de dominação de terra além dos passos básicos.

Contudo, o que eles não sabem é que ela não só é uma dominadora poderosa o suficiente para ser a campeã invicta do Torneio de Dobra de Terra, como provavelmente é a melhor dominadora de terra de que se tem notícia. Sem exageros.

Toph desenvolveu uma técnica de percepção dos movimentos de qualquer pessoa, animal, objeto ou mínima folha através dos pés dela. 

As vibrações (ainda que ínfimas) são o suficiente para que ela “enxergue” pela terra. Isso a torna praticamente imbatível. Toph também inventa a dobra de metais a partir da necessidade de fugir de uma jaula metálica.

A personagem demonstra que aquilo que parece ser uma limitação pode ser o que nos torna ainda mais poderosos.

Aang e as escolhas difíceis em prol da humanidade

Ok, talvez as suas escolhas não influenciem o planeta (até onde se sabe), mas entender que nem sempre o caminho mais fácil é o mais correto é imprescindível para o amadurecimento emocional.

Aang, o protagonista, é um personagem muito complexo. Ele passa por uma grande evolução durante o processo para se tornar o Avatar e dominar os quatro elementos.

Por ter sido congelado quando tinha 12 anos, sua mentalidade e seu porte físico continuam os mesmos, ainda que tenha se passado um século.

Devido a isso, Aang muitas vezes tem desejos egoístas e não aceita bem algumas funções que precisa cumprir (o que é normal, ser o Avatar não é fácil).

Uma das coisas mais interessantes é observar como todos os outros Avatares parecem já ter nascido preparados e conformados.

Aang nos mostra o lado humano do Avatar. Quem aceitaria tranquilamente abdicar das pessoas que ama em prol da humanidade?

Outra lição que o protagonista nos passa é a necessidade ser humilde e entender que todas as pessoas têm algo a ensinar, e os mais sábios e habilidosos podem vir de qualquer lugar.

Quanto a isso, Aang teve uma seleção interessante de professores de dominação dos elementos. A dominação do ar foi aprendida com os monges do ar, com quem viva.

Em grande parte, Katara treinou com ele a dominação da água. Toph ensinou-o a dobrar a terra. E, de forma inesperada, Zuko foi o professor do fogo.

No fim da história, após ter restabelecido a paz no mundo, Aang e Katara conseguem ficar juntos, e aprendemos mais uma lição. Mesmo quando tudo parece perdido, o amor nos traz esperança.

Iraci Falavina

Estudante de Jornalismo apaixonada por games, animes e cinema (e que não recusa uma boa xícara de chá)