Lamplight City é um baita jogo de detetive, pena que não tem tradução em português – Crítica

Lamplight City é um baita jogo de detetive, pena que não tem tradução em português – Crítica

Já passava da meia-noite de domingo e eu estava em frente ao computador, com os olhos semi-abertos de tanto sono, enviando mensagens para a página da Grundislav Games para saber se Lamplight City teria pelo menos legendas em português, para conseguir mais público no Brasil.

A publisher alemã Application Systems Heidelberg nos enviou uma prévia do game com seu primeiro episódio, e mesmo não sendo fã de jogos point-and-click, acabei curtindo muito a narrativa do game. Infelizmente, porém, nem todo brasileiro vai conseguir aproveitar essa história.

Lamplight City te coloca na pele de um detetive particular atormentado pelos fantasmas de seu passado, mas que precisa seguir a sua vida. O jogo se passa em uma versão alternativa dos Estados Unidos do século 19 que não se tornou independente do Reino Unido, o que garante uma estética vitoriana, porém, com território e aspectos da cultura estadunidense da época.

Como sou uma pessoa criada a base de RPGs de ação e GTA, minha paciência para jogos point-and-click é bem limitada. Minha experiência com o jogo começou bem mal, pois, infelizmente, não consegui utilizar um controle sem fio para jogar deitado, no conforto da minha cama, com o PC conectado na TV. Depois que aceitei meu destino e voltei para o mouse, fui surpreendido pelo conteúdo do primeiro capítulo do jogo.

A Grundslav Games é o estúdio de Francisco Gonzalez, criador de jogos de 36 anos que mora no Brooklyn e ficou famoso por ter trabalhado em games como Shardlight e em Ben Jordan: Paranormal Investigator. As produções são voltadas para um nicho bem específico do PC, mas mostram a experiência e maestria do desenvolvedor, que conseguiu criar uma fórmula bem interessante para seus games.

Apesar do estilo de nicho, a história de
Lamplight City pode te conquistar

Assim como os projetos anteriores de Gonzalez, Lamplight City segue uma estética com gráficos pixelizados, movimentos “travadões” e um roteiro bem trabalhado (pelo menos no primeiro capítulo) que faz você querer continuar jogando mesmo que não goste tanto do gênero.

Como detetive particular Miles Fordham, o jogador precisa investigar casos deixados de lado pela Polícia, o que garante histórias exóticas e personagens interessantes para serem interrogados. O jogo contará com cinco casos no total, onde alguns deles, segundo Gonzalez, tem inspirações em eventos reais. “Eu não quero dizer exatamente o que para evitar spoilers”, diz o desenvolvedor.

Errar é humano

O gameplay de Lamplight City é bem simples: você investiga os cenários em busca de pistas e conversa com os envolvidos em cada caso para buscar informações sobre o crime. Como o jogo é dividido em capítulos, a jogabilidade é bastante linear, mas a escolha de diálogos dá um senso de liberdade ao game.

Após todo o processo de investigação, que rende alguns momentos engraçados e surpreendentes no primeiro capítulo, você reúne o máximo de provas  e informações que conseguir, chega a uma lista de suspeitos e tem que decidir quem é o culpado. Isso mesmo, decidir: você que escolhe quem entregar para a polícia e, se quiser, pode até mesmo mandar para a cadeia um personagem inocente.

Com isso, mesmo que você prenda a pessoa errada, propositalmente ou não, o game continua, nada de Game Over. Você, jogador, só tem que lidar com o fato de que transformou o protagonista em um detetive ruim.

Durante meu tempo com o primeiro capítulo de Lamplight City, consegui testar diferentes possibilidades de diálogo e ações da narrativa. Apesar das escolhas sempre levarem ao mesmo fim, os diferentes caminhos escolhidos pelo jogador acabam trazendo experiências diferentes.

A narrativa é tão real que até
permite prender a pessoa errada

A principal consequência são as perdas de pistas: dependendo de seu posicionamento como policial “bom” ou “mau”, as pessoas interrogadas podem se sentir intimidadas ou deixarem de falar, o que pode interferir nas investigações.

Com apenas algumas linhas de diálogos diferentes, o roteiro também consegue mostrar que a vida que o jogador está dando para Miles está melhorando ou está cada vez mais melancólica e triste. Para um game feito por apenas um cara e com pouco orçamento, essa é uma boa estratégia para colocar escolhas e oferecer uma experiência de história acima da média.

Dublagem de qualidade, mas ausência de localização

Apesar do estilo gráfico e o gameplay seguirem um caminho que pode não agradar alguns jogadores, a dublagem do game é excepcional, principalmente quando levamos em conta que Lamplight City é um jogo independente.

Segundo Gonzalez, o trabalho de dublagem foi feito junto com um diretor profissional e contou com 22 atores, que dublaram nada menos que 70 personagens. O desenvolvedor acredita que os jogadores já esperam este tipo de acabamento em jogos do gênero adventure.

Apesar da dublagem de qualidade, o jogo
não conta com legendas em português

“As pessoas esperam que jogos com muita conversa tenham atuação de voz”, explica Gonzalez por meio do Facebook. “Há alguns casos em que é impossível fazer isso, mas, no geral, acho que ajuda e dá um bom nível de polimento extra”.

Como pessoa que curte jogos narrativos, sou obrigado a concordar com o desenvolvedor. Como nós já falamos aqui no Nacionais algumas vezes, a dublagem dá uma camada extra de vida aos games e permite que o jogador dê mais atenção a história.

A parte triste, porém, é que Lamplight City não terá nem legendas em português, o que vai limitar a narrativa do game apenas para os jogadores que entendem inglês ou… alemão, o idioma do país de origem da publisher do jogo.

Caso a Application Systems Heidelberg não mude de ideia, o negócio é rezar para algum grupo de bons samaritanos traduzir o game por conta própria. Levando em conta o certo renome que Francisco Gonzalez tem como jogos point-and-click, existe a possibilidade disso acontecer.

Lamplight City será lançado em 13 de setembro para PC e terá cinco casos diferentes para solucionar. Levando em conta minha experiência com o primeiro capítulo, com certeza vou visitar o detetive Miles, mesmo não sendo tão fã do estilo de seu game.

Confira mais informações sobre o jogo em sua página da Steam.

Redator Pixel

Escrito com carinho por um dos nossos melhores redatores :)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.